Hamilton Andreatta, CTO, e Maurício Kavinski, CEO da Preâmbulo Tech.

A Preâmbulo Tech, curitibana de software para gestão jurídica, acaba de receber um aporte com recursos do Fundo Criatec 3, criado pelo BNDES e gerido pela KPTL.

De acordo com o site NeoFeed, o valor do investimento pode chegar a R$ 10 milhões no chamado contrato de incentivo. O primeiro cheque será de R$ 3 milhões e o volume vai aumentando à medida que determinadas metas sejam cumpridas.

A empresa teve consultoria da Triaxis Capital na negociação com o fundo. Fundada em 1988, a Preâmbulo criou um software chamado CPJ e hoje conta com dois softwares e 110 funcionários.

O principal produto da empresa é o Preâmbulo CPJ-3C, um sistema de gestão jurídico que funciona na nuvem ou on-premise, instalado nos servidores do próprio escritório de advocacia. Ele representa 75% da receita da companhia, que foi de R$ 15 milhões em 2019.

O outro software é o CPJ-Cobrança, voltado para a recuperação de crédito. Trata-se de um produto complementar, voltado para escritórios que trabalham com bancos e grandes financeiras.

No total, a Preâmbulo possui um portfólio com 6 mil escritórios de advocacia e 1 mil departamentos jurídicos de empresas, totalizando 28 mil usuários.

O CEO da companhia é Maurício Kavinski, que não faz parte do time original de fundadores, mas comprou uma participação majoritária na empresa há seis anos. Hamilton Andreatta, o Chief Technology Officer (CTO), é um dos fundadores que ainda está na Preâmbulo.

Com o seu primeiro cheque institucional recebido de um fundo de venture capital, a lawtech deve reforçar área comercial e desenvolver novos produtos. Um deles é um software para automação de documentos e outro é um sistema para tratamento de dados.

“É uma empresa consolidada, com robustez financeira, líder de seu setor e que tem uma estratégia de crescimento que deve passar por novas aquisições”, afirmou Renato Ramalho, CEO da KPTL, ao NeoFeed.

Esse não é o primeiro investimento da KPTL na área jurídica. Em 2018, ela fez um aporte na Justto, startup que automatiza o processo de negociação de acordos judiciais, principalmente em casos do direito do consumidor e do direito trabalhista.

O potencial do mercado de lawtechs no Brasil é grande. 

São 1,2 milhão de advogados inscritos na OAB e cerca de 100 mil escritórios jurídicos, sem falar dos departamentos dentro de grandes empresas. O país gasta o equivalente a 2% do PIB com processos judiciais.

Talvez por isso o mercado nacional de lawtechs parece estar chamando a atenção de investidores estrangeiros visando consolidar mercado.

Em maio do ano passado, a Constellation Software, uma companhia canadense, comprou a catarinense Aurum, desenvolvedora dos softwares jurídicos Astrea e Themis. 

Em abril deste ano, a Constellation voltou à carga, desta vez comprando a Kurier, uma companhia pernambucana de software jurídico com 1,7 mil clientes, incluindo aí sete dos 10 maiores escritórios de advocacia do país. Esse negócio também teve a participação da Triaxis Capital.

Tanto a compra da Aurum como a da Kurier foram divulgadas pelas próprias adquiridas, o que indica que a Constellation pode ter fechado outros negócios que não foram divulgados publicamente.

Um mês depois, a Elaw Tecnologia, fornecedora de um sistema de gestão de departamentos jurídicos usado por 200 grandes empresas do país, fechou uma joint venture com a Impacta, uma empresa do mesmo ramo.

A KPTL é uma gestora de Venture Capital com ativos na ordem de R$ 1,2 bilhão e 49 empresas investidas. Sediada em São Paulo, a empresa tem seis escritórios espalhados pelo Brasil e um em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Fundada a partir da fusão entre a Inseed Investimentos e a A5 Capital Partners, a companhia é gestora do Fundo Criatec 3, criado pelo BNDES em 2016.

Com atuação nacional, o Criatec 3 conta com mais 10 cotistas além do BNDES e já fez mais de 20 investimentos em startups de diversos setores como agronegócio, energia, mídia, varejo e tecnologia da informação.