Oracle x AWS é uma briga de cachorro grande. Foto: Pixabay.

Oracle e AWS começaram uma batalha judicial em torno de uma licitação de US$ 10 bilhões do Pentágono, pelo qual o departamento de defesa vai migrar 80% dos seus sistemas para a nuvem.

A AWS é tida como a grande favorita para levar o contrato, que, pelas regras atuais da licitação, deverá ser vencido por só uma empresa.

A situação mobilizou o setor de tecnologia em peso, incluindo Oracle, SAP, General Dynamics, Red Hat, VMware, Microsoft, IBM, Dell Technologies e HPE, que estão fazendo lobby para o Pentágono mudar as regras e contratar múltiplas nuvens, orquestradas por um cloud broker.

(Talvez isso lembre você de alguma coisa. Aqui no Brasil o Ministério do Planejamento lançou uma licitação no modelo broker, para depois mudar de ideia e entregar tudo para a Embratel, que venceu oferecendo a nuvem da AWS).

Só que a Oracle, que tem prometido vencer a AWS no mercado de nuvem, decidiu dar um passo adiante na semana passada, entrando com uma ação judicial contra o governo para parar a licitação.

A alegação da Oracle é séria: a licitação teria sido feita sob medida para limitar o número de participantes, com participação direta de pessoas relacionadas com a AWS.

Segundo relata o The Register, a Oracle afirma que um dos envolvidos em preparar a licitação trabalhou no governo por 18 meses, tendo sido empregado da AWS antes e depois desse período. Outro teria trabalhado como consultor para a AWS.

A Oracle também afirma que um funcionário da AWS teve acesso a informações sobre a licitação para o projeto, batizado de JEDI, sigla para Joint Enterprise Defense Infrastructure.

A AWS pediu para responder judicialmente às alegações da Oracle, afirmando que elas eram “sem mérito”. O envolvimento da AWS foi autorizado por um juiz e agora a empresa vai ter acesso a toda a documentação apresentada pela Oracle.

Com a briga judicial, a disputa de mercado entre AWS e Oracle entra num novo nível.

Até agora, a coisa consistia basicamente em bravatas de executivos de lado a lado.

Por exemplo, Andy Jassy, CEO da AWS, provocou o chairman da Oracle, Larry Ellison, durante o keynote de abertura da conferência mundial da AWS, no final de novembro em Las Vegas.

Segundo relata o Business Insider, Jassy mostrou um gráfico de pizza com as participações de mercado de diferentes players no mercado de nuvem. Elisson aparece olhando para a participação da Oracle, que está na categoria “outros”.

De acordo com os dados citados por Jassy, que batem com a média das pesquisas, a AWS tem 51,8% do mercado de nuvem pública, seguida de longe por Microsoft com 13.3%, Alibaba com 4.6% e Google com 3.3%.

“Os bancos de dados da velha guarda como Oracle e SQL são caros e não servem aos consumidores. As pessoas estão de saco cheio deles e agora tem uma escolha”, disparou Jassy.

É preciso ser justo e dizer as provocações de Jassy vem depois de anos de Larry Elisson usar todas as chances disponíveis para falar mal da AWS e declarar sua intenção de derrubar eles do posto de número 1 em nuvem pública.

Na última conferência mundial da Oracle, Elisson resumiu o modelo de negócios da AWS por meio de uma comparação com os carros semi autônomos: “Você entra, você começa a dirigir, você morre”.

Folclore de keynote à parte, a situação da Oracle é complicada quando o assunto é computação na nuvem.

Thomas Kurian, ex-presidente de desenvolvimento de produto da Oracle e responsável pelo negócio de nuvem, saiu da empresa recentemente, depois desentendimentos com Ellison. 

Ele foi para o Google, liderar justamente o negócio de computação na nuvem.

A missão de Kurian era fazer uma virada no modelo de negócios da Oracle, transformando ela de uma vendedora de hardware em uma  líder em serviços de cloud e plataforma.

Por um tempo, as coisas foram bem, mas recentemente a Oracle tomou a decisão de divulgar as vendas de software, plataforma, infraestrutura como serviço e as boas e velhas licenças de software num número só.

A tese vendida pela Oracle era que a movimentação visava refletir melhor a aquisição de modelos híbridos de software, mas a novidade foi interpretada como uma estratégia para esconder números ruins de crescimento na nuvem. 

De acordo com a Bloomberg, Kurian queria tornar mais softwares da Oracle compatíveis para rodar em nuvens públicas de concorrentes como AWS e Microsoft, num caso clássico de “se não pode vencê-los, una-se a eles”, uma vez que as duas empresas são as líderes isoladas nesse mercado.

A AWS, por outro lado, não fica só nas provocações: uma matéria da CNBC apontou recentemente que a empresa quer parar de usar softwares de bancos de dados da Oracle até o primeiro trimestre de 2020.

Em nota, a Oracle rebateu as fontes da CNBC e disse que a Amazon gastou US$ 60 milhões em software de banco de dados e analítico há um ano.