Gráfico de pizza veio com cutucada em Larry Ellison. Foto: @TechMarketView

Andy Jassy, CEO da AWS, resolveu provocar o chairman da Oracle, Larry Ellison, durante o keynote de abertura da conferência mundial da AWS, nesta quarta-feira, 28, em Las Vegas.

Segundo relata o Business Insider, Jassy mostrou um gráfico de pizza com as participações de mercado de diferentes players no mercado de nuvem. Elisson aparece olhando para a participação da Oracle, que está na categoria “outros”.

De acordo com os dados citados por Jassy, que batem com a média das pesquisas, a AWS tem 51,8% do mercado de nuvem pública, seguida de longe por Microsoft com 13.3%, Alibaba com 4.6% e Google com 3.3%.

“Os bancos de dados da velha guarda como Oracle e SQL são caros e não servem aos consumidores. As pessoas estão de saco cheio deles e agora tem uma escolha”, disparou Jassy.

É preciso ser justo e dizer as provocações de Jassy vem depois de anos de Larry Elisson usar todas as chances disponíveis para falar mal da AWS e declarar sua intenção de derrubar eles do posto de número 1 em nuvem pública.

Na última conferência mundial da Oracle, Elisson resumiu o modelo de negócios da AWS por meio de uma comparação com os carros semi autônomos: “Você entra, você começa a dirigir, você morre”.

É uma alusão a acusação frequente de que a AWS facilita a entrada dos seus clientes na nuvem, mas complica a saída ao ponto de gerar um “lock in”, o que, vamos ser sinceros, é o modelo de negócio de boa parte da indústria de tecnologia no final das contas.

Folclore de keynote à parte, a situação da Oracle é complicada quando o assunto é computação na nuvem.

Thomas Kurian, ex-presidente de desenvolvimento de produto da Oracle e responsável pelo negócio de nuvem, saiu da empresa recentemente, depois desentendimentos com Ellison. 

Ele foi para o Google, liderar justamente o negócio de computação na nuvem.

A missão de Kurian era fazer uma virada no modelo de negócios da Oracle, transformando ela de uma vendedora de hardware em uma  líder em serviços de cloud e plataforma.

Por um tempo, as coisas foram bem, mas recentemente a Oracle tomou a decisão de divulgar as vendas de software, plataforma, infraestrutura como serviço e as boas e velhas licenças de software num número só.

A tese vendida pela Oracle era que a movimentação visava refletir melhor a aquisição de modelos híbridos de software, mas a novidade foi interpretada como uma estratégia para esconder números ruins de crescimento na nuvem. 

De acordo com a Bloomberg, Kurian queria tornar mais softwares da Oracle compatíveis para rodar em nuvens públicas de concorrentes como AWS e Microsoft, num caso clássico de “se não pode vencê-los, una-se a eles”, uma vez que as duas empresas são as líderes isoladas nesse mercado.

A AWS, por outro lado, não fica só nas provocações: uma matéria da CNBC apontou recentemente que a empresa quer parar de usar softwares de bancos de dados da Oracle até o primeiro trimestre de 2020.

Em nota, a Oracle rebateu as fontes da CNBC e disse que a Amazon gastou US$ 60 milhões em software de banco de dados e analítico há um ano.

A provocação de que os clientes não aguentam mais o banco de dados da Oracle também tem algo de substância.

Uma pesquisa recente da JP Morgan com 154 CIOs mostrou que só 2% apontaram a Oracle como seu principal vendedor de nuvem, 27% disseram Microsoft e 12% a Amazon Web Services.

A nota do JP para os seus clientes, divulgada em parte pela CNBC, aponta ainda que os CIOs disseram que estão migrando dos bancos de dados da Oracle para Microsoft SQL Server, Amazon databases e PostgreSQL.