Amazon prevê volta a normalidade de sempre. Foto: San Diego Air and Space Museum.

A Amazon parece não ter comprado o discurso prevalente no setor de tecnologia, pelo qual os escritórios estão com os dias contados, ou pelo menos em declínio como centro do ambiente de trabalho.

A gigante de e-commerce anunciou planos de agregar 850 mil metros quadrados de escritórios corporativos nas suas operações de Nova Iorque, Phoenix, San Diego, Denver, Detroit e Dallas nos próximos dois anos.

Para se ter uma ideia, 850 mil metros quadrados são o equivalente a 119 campos de futebol.

O novo espaço deve abrigar 3,5 mil funcionários em posições corporativas aos quase 100 mil que a empresa já tem hoje (outros 500 mil trabalham nas operações).

Os empregos incluem todo tipo de divisões, incluindo Alexa, anúncios e a divisão de computação em nuvem, a AWS.

A pandemia e o consequente crescimento das vendas online aqueceram muito os negócios da Amazon, cujo faturamento cresceu 40% no último trimestre na comparação anual, ao mesmo tempo que a economia americana como um todo caia 33%.

Ampliar a equipe é então uma decisão natural, mas a decisão de crescer junto o espaço de escritório vai contra o que andam dizendo algumas das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, para quem o trabalho desde casa veio para ficar.

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, previu em maio que a metade dos funcionários da empresa trabalharia desde casa em 10 anos. O Twitter se comprometeu com a continuidade do home office indefinidamente.

Mesmo no Brasil, algumas grandes empresas anunciaram movimentações nesse sentido. 

A Stefanini está preparando o que até agora é a virada mais ambiciosa de uma grande empresa de tecnologia para o home office de maneira permanente após a pandemia do coronavírus no Brasil.

O projeto, batizado de Stefanini Everywhere, tem por meta que metade do time trabalhe em home office num prazo de 12 a 18 meses, sendo 60% dessa equipe de maneira permanente e outros 40% de maneira parcial.

É uma mudança enorme para uma empresa que tem 25 mil funcionários (14 mil no Brasil) e tinha antes da crise uma prática mínima de home office, limitada a 120 profissionais na Europa.

Ontem, a empresa chamou atenção no Baguete com o lançamento de uma cabine, destinada a dar privacidade para os funcionários trabalhando em casa.