GESTÃO

2026: o ano de arrumar a casa da sua TI

Este ano vai ser o ano da inteligência artificial para valer. 

28 de janeiro de 2026 - 09:17
Spencer Gracias, diretor-geral da Kyndryl Brasil (Foto: Divulgação)

Spencer Gracias, diretor-geral da Kyndryl Brasil (Foto: Divulgação)

Você pode estar com a impressão de que 2025 foi o ano da inteligência artificial. Se está pensando assim, 2026 vai te pegar de surpresa. Este é um ponto de inflexão muito importante para a transformação digital dos negócios, e os líderes precisam olhar com muito cuidado para seus planos para o próximo ano.

Para entender como esta transformação no mindset dos CEOs está acontecendo, a Kyndryl fez uma pesquisa com 3700 executivos de 21 países – incluindo o Brasil – para entender o quão preparados eles estão para enfrentar aquela que provavelmente é a mais radical mudança de paradigma da última década.

Quando olhamos apenas para o Brasil, o otimismo salta aos olhos: 92% dos executivos acreditam que a IA vai transformar completamente funções e responsabilidades em apenas 12 meses, acima da média global. Os investimentos em IA cresceram mais aqui do que no restante do mundo, assim como os recursos destinados à migração e implantação em nuvem. Há também uma percepção de maior preparo: mais empresas brasileiras se declaram “completamente prontas” para lidar com riscos do que a média global.

Outro diferencial positivo é a prioridade dada à infraestrutura e à segurança. As empresas brasileiras citam com mais frequência a atualização da infraestrutura de TI e a implementação de medidas robustas de cibersegurança como principais ações para mitigar riscos de negócio. Ao mesmo tempo, uma parcela menor relata interrupções cibernéticas em comparação ao cenário global – um sinal de que os investimentos recentes começam a produzir resultados, ainda que não garantam conforto.

Mas o relatório também expõe as armadilhas da nossa transformação digital. Metade das empresas brasileiras afirma que seus esforços de inovação são atrasados por problemas básicos, e a mesma proporção diz que as iniciativas costumam parar na fase de prova de conceito. Em outras palavras: investimos, testamos, mas temos dificuldade em escalar. A pressão por comprovar rapidamente o ROI em IA é tão forte quanto no resto do mundo, o que muitas vezes incentiva projetos isolados, sem conexão com uma visão de longo prazo.

A gestão de pessoas e competências é outro ponto sensível. Os executivos brasileiros se preocupam mais do que a média com ter as habilidades tecnológicas certas para capturar as oportunidades da IA e com o desafio de requalificar profissionais cujas funções serão transformadas. Ao mesmo tempo, quase um terço aponta a dificuldade de alinhar áreas de negócio e tecnologia como barreira para escalar investimentos. Ou seja: não basta contratar especialistas em IA; é preciso redesenhar processos, modelos de decisão e cultura para que a tecnologia de fato gere valor.

O que esse quadro sugere para a gestão da infraestrutura de TI no Brasil? Em primeiro lugar, que infraestrutura não é mais um tema apenas técnico: é uma alavanca de competitividade. As empresas que querem sair do piloto e ganhar escala em IA precisam simplificar ambientes, reduzir dívida técnica e tratar nuvem e dados como ativos estratégicos, não como consequência de decisões pontuais. Isso passa por arquiteturas mais integradas, governança clara de e foco permanente em segurança e conformidade.

Em segundo lugar, é hora de aproximar TI e negócio. Projetos de IA e nuvem devem começar por problemas concretos – aumento de receita, redução de churn, eficiência operacional – com métricas acordadas desde o início. Times multidisciplinares, que combinam conhecimento de negócio, tecnologia e gestão de mudanças, têm mais chance de transformar pilotos em resultados sustentáveis.

Por fim, os líderes precisam enxergar parceiros de infraestrutura como extensões estratégicas de sua própria organização. Ao delegar a gestão de ambientes complexos a especialistas, liberam suas equipes para inovar onde realmente importa: na criação de novas propostas de valor para clientes, no desenho de jornadas digitais e na construção de modelos de negócio mais resilientes.

Se o Brasil já avança mais rápido em IA e nuvem do que a média global, o próximo passo não é apenas “fazer mais”, e sim “fazer melhor”: investir em bases tecnológicas sólidas, capacitar pessoas e alinhar decisões de TI à agenda de crescimento. É essa combinação que transforma o atual ponto de virada em vantagem competitiva duradoura.

* Por Spencer Gracias, diretor-geral da Kyndryl Brasil.