TRAJETÓRIA

Mercos dá a volta por cima

21/07/2021 09:16

Startup catarinense está rumo a superar o baque causado pela pandemia do coronavírus.

Tiago Brandes. Foto: Foto Globo.

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A Mercos, uma startup de Joinville especializada em software de vendas para indústrias e distribuidoras, conseguiu dar a volta por cima, depois de levar uma pancada forte do coronavírus.

A empresa deve terminar o ano com o mesmo número de funcionários e um faturamento superior ao obtido antes da crise do coronavírus se instalar no país, em 2020.

Em abril de 2020, no começo da pandemia, a empresa cortou 40% da sua equipe, demitindo 51 profissionais, e deixando o time total em 74.

O CEO da Mercos, Tiago Brandes, abriu o jogo em um post no Linkedin, revelando que mais da metade dos 6 mil clientes da startup tiveram quedas de 70% no faturamento, tornando o corte inevitável.

Após a redução do quadro, a empresa focou na simplificação e automatização dos processos, buscando tornar sua operação mais escalável. 

“Os primeiros meses foram muito turbulentos, com muitas reinvenções acontecendo ao mesmo tempo. Foi um período de grande sobrecarga e, ao mesmo tempo, de grande superação para o nosso time”, afirma Brandes.

De acordo com o CEO, a empresa apostou em reduzir os canais de atendimento temporariamente e reorganizar os times comerciais em “squads multifuncionais”.

A partir de dezembro, a situação começou a se normalizar e a empresa voltou a fazer contratações. 

Hoje a Mercos já tem um time de 96 pessoas, com mais 25 vagas em aberto até final de 2021, o que deve deixar a equipe em 120 pessoas, o mesmo de antes dos cortes. Os reforços devem ir para os times de Marketing, Operações e Recursos Humanos.

A empresa tem alguns bons indicadores, como um crescimento de 40% na receita recorrente entre os meses de junho de 2020 e junho de 2021, com uma margem de lucro EBITDA de 30%, a maior lucratividade registrada desde que a empresa atingiu o break-even no ano de 2018.

Em termos de faturamento anual, a Mercos fechou 2020 com R$ 20 milhões, uma alta de 11% frente aos resultados de 2019. 

Foi menos do que os 40% que a empresa registrou entre 2018 e 2019 e bastante abaixo da meta de R$ 25,2 milhões estabelecida antes da pandemia, mas tendo em vista todas as circunstâncias, um bom resultado.

Para 2021, a Mercos projeta voltar ao ritmo de crescimento anterior à pandemia, fechando o ano com R$ 27 milhões, o que representaria uma alta de 35%.

“A pandemia nos forçou a tomar decisões drásticas que tornaram o segundo semestre de 2020 uma época muito desafiadora. Agora, passado um ano deste movimento, o legado é uma eficiência operacional de primeira linha que tornou o nosso negócio muito mais forte e resiliente", acredita Brandes.

A empresa está investindo na evolução do produto e estruturando processos para aumentar o upsell dentro da base de clientes. Um dos objetivos de médio prazo é ter 70% dos clientes utilizando o produto de e-commerce B2B até o final de 2023.

O produto está no mercado desde 2017, quando, na visão de Brandes, “as vendas online ainda engatinhavam na cadeia de bens de consumo”.

“Agora, com a nova realidade de mercado, estamos colhendo os frutos desse investimento. Estamos contentes com os resultados e ansiosos pelo que está por vir”, comenta Brandes. 

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