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A Algar, empresa de soluções de TI e telecom do Grupo Algar, está apostando em um modelo de franquias direcionado a provedores de internet (ISPs) regionais de médio porte.
O alvo são ISPs com mais de 7 mil clientes e ticket médio de R$ 100, ou seja, que faturam pelo menos R$ 700 mil ao mês.
Na prática, a Algar assume questões como gestão de faturamento, segurança de rede e ampliação do portfólio de serviços, enquanto o franqueado local se concentra na expansão da rede, vendas e atendimento ao cliente.
Para isso, a Algar assume o backoffice e garante o acesso à tecnologia aportada na companhia e a infraestrutura de backbone, data centers e monitoramento de rede 24/7, com mitigação de ataques e gestão de ativos.
Isso inclui a gestão completa de processos como Billing, CRM, faturamento e cobrança, aliada ao portfólio de produtos e ao poder de negociação com fornecedores em grande escala.
Ao franqueado, cabe a gestão da presença local, a construção de redes, as equipes de instalação, as vendas e o suporte de campo.
“Assumimos a complexidade operacional para que ele possa se dedicar à estratégia de crescimento e ao relacionamento com o cliente, que são seus grandes diferenciais. É uma relação que soma a força da nossa marca e infraestrutura à agilidade e ao conhecimento do mercado local”, explica Jeanderney Faleiros França, head de negócios de franquia na Algar.
Após a assinatura do contrato com um kick-off, a franqueadora inicia uma operação assistida na qual as duas empresas passam de seis meses a um ano operando em conjunto para a transferência de know-how.
Para isso, a companhia estruturou uma operação chamada Newborn Implantação, com uma equipe multidisciplinar que cuida do primeiro momento para entender o funcionamento e a essência da operação do franqueado.
“A gente faz todo o mapeamento para entender o que nós temos, tanto da parte tecnológica, de desenvolvimento estrutural. Também fazemos as adequações para ter as integrações necessárias entre Algar e esse franqueado para que a operação trabalhe de uma forma fluida”, conta França.
Normalmente, esses provedores usam o IXC Soft, sistema especializado no setor, como a principal plataforma de gestão tanto das redes quanto de clientes. De qualquer forma, a Algar acaba fazendo um movimento de transição para os seus sistemas.
“Todo o know-how que nós construímos ao longo desses 71 anos, a gente compartilha com esse franqueado. Então ele opera com todos os sistemas legados de venda, tudo aquilo que nós operamos hoje em uma localidade de forma direta e própria, o franqueado passa a exercer como representante local”, explica França.
Depois, é feito um momento de pesquisa e realinhamento de oportunidades para conexão dos sistemas e portfólio de produtos.
“O nosso processo é muito faseado. Temos um momento em que a gente faz a transição de marca, temos um momento para cuidar desses processos de alinhamentos, de ofertas, fazer com que o nosso cliente esteja lá amparado para entender todo esse movimento”, detalha França.
No início, a empresa sinaliza que a marca do franqueado agora é Algar e vai realizando uma transição até que o ponto de vendas tenha somente o nome Algar.
“Ele já tem essa abertura naquela comunidade porque é uma referência local, já é conhecido. Então a gente faz uma transição de marca muito cuidadosa, porque também não queremos desmerecer todo o trabalho que foi construído por esse franqueado no passado”, afirma França.
Após o período de operação conjunta, uma outra equipe faz o acompanhamento dentro de uma metodologia de excelência em franquias, dando o suporte no dia a dia em áreas como vendas, técnica de campo, infraestrutura, engenharia e atendimento.
“Não tem diferença entre ir numa loja própria ou numa loja franqueada. Seguimos o mesmo padrão e isso é um dos pontos que traz ganho para o nosso franqueado, porque ele embarca a nossa marca e todos os nossos processos”, ressalta França.
Hoje as franquias já representam 12% da receita total da Algar, com 17 empresas franqueadas, presença em mais de 100 cidades e mais de 200 mil clientes.
A maior concentração de franqueados está nos estados de São Paulo e Minas Gerais, mas eles também estão em Goiás, Distrito Federal e no Mato Grosso. Segundo o executivo, o objetivo é continuar crescendo nessas regiões.
Ao invés do caminho das aquisições em um mercado hiper fragmentado, a Algar optou pela estratégia de franquias porque entende que o franqueado traz a somatória da atuação local, do reconhecimento na comunidade residencial e empresariado.
“Quando se faz uma aquisição, você nem sempre vai estar adquirindo o principal valor daquela operação, que é o conhecimento local de operar. O nosso franqueado já conhece a comunidade, já entende o mercado. Então, isso facilita o nosso desenvolvimento, até mesmo com relação a não perder clientes nesse processo de transição”, explica França.
Para o executivo, outro aspecto importante nessa relação é ter um dono em cada localidade zelando e cuidando do resultado.
“Nós só vamos ter sucesso se o nosso franqueado tiver sucesso. Então é uma forma de crescer com uma estruturação melhor. Nós também aprendemos, porque as boas práticas dos nossos franqueados a gente internaliza e promove para toda a nossa rede”, acrescenta França.
A Algar oferece internet por fibra óptica, celular, serviços de voz, dados e Tecnologia da Informação, incluindo serviços de cloud e de segurança de redes, além de sistemas de gestão para pequenas empresas.
No total, conta com mais de 1,3 milhão de clientes corporativos (B2B) e do varejo (B2C), com mais de 133 mil km de fibra óptica em 372 cidades de 16 estados e do Distrito Federal. São mais de 4,2 mil colaboradores, sendo 1,4 mil da força de vendas.
No terceiro trimestre de 2025, a companhia obteve receita de R$ 746,3 milhões, alta de 5,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte do valor veio do B2B, que gerou R$ 482,6 milhões, enquanto o varejo faturou R$ 263,7 milhões.
