Para quem não conhece, a bandeira da Moldávia. Foto: Depositphotos.
A Stefanini, gigante brasileira de tecnologia, virou um case de sucesso da Moldávia, um pequeno país do leste europeu.
Em uma nota distribuída para a imprensa mundial, a agência de investimentos local abre uma série de detalhes sobre os negócios da Stefanini no país, “um dos casos mais convincentes de investimento estrangeiro na Moldávia”.
A Stefanini chegou em Chisinau, a capital da Moldávia, ainda em 2016, abrindo uma operação com 10 pessoas que cresceu até ter cerca de 500 hoje em dia, oferecendo serviços para gigantes internacionais como a varejista H&M, o supermercado francês Auchan e a montadora Mazda.
“A República da Moldávia mostrou-se atraente principalmente por sua posição geográfica, bem como por sua força de trabalho bem treinada, com bom nível de proficiência em inglês, que se integra facilmente às equipes e estruturas de nossos clientes europeus”, afirma Ion Girleanu, country manager da Stefanini Moldova.
A Moldávia busca ativamente investidores internacionais como a Stefanini por meio do Moldova Innovation Technology Park, uma iniciativa pela qual empresas que se instalem no país pagam um imposto único sobre a receita, além de um regime trabalhista flexível.
A Stefanini é uma das empresas brasileiras com mais presença internacional. No caso do leste europeu, isso se reflete principalmente na Polônia e na Romênia, onde a empresa tem quatro centros totalizando alguns milhares de funcionários.
O caso da Moldávia, um país de 2,7 milhões de habitantes que tem o menor PIB per capita da Europa, equivalente ao da Bahia, mostra como a Stefanini está disposta a ir longe para diversificar a sua presença.
Apesar de vizinha da Romênia (a língua oficial do país inclusive é o romeno), a Moldávia pode ser considerada um outro mundo, geopoliticamente falando.
O país não pertence à União Europeia, como a Romênia e Polônia, e está dividido entre um bloco político pró-europeu e outro pró-russo (a Moldávia fez parte da União Soviética).
A Rússia, inclusive, apoia um grupo separatista que controla a Transnístria, uma pequena faixa de território na fronteira entre a Ucrânia e a Moldávia, o que agrava a instabilidade política no país.
NO GERAL
Apesar de estar indo bem na Moldávia, no geral as coisas foram meio devagar para a Stefanini no ano passado.
A empresa fechou o ano com uma receita de R$ 8,4 bilhões, apenas 5% superior à de 2024.
O resultado é bem abaixo dos 15% projetados inicialmente e também um ponto fora da curva no crescimento da Stefanini nos últimos anos.
Em 2024, a Stefanini tinha crescido 14%, o que também estava abaixo do desempenho dos anos anteriores, que vinha em queda. Ainda em 2023, a Stefanini cresceu 20%. Em 2022, 24% e em 2021, 25%.
A empresa atribuiu os resultados fracos a um ano de "arrumação da casa" e projeta um crescimento entre 15% e 18% em 2026, alcançando um faturamento de R$ 9,7 bilhões, o que torna a empresa de longe a maior do país na área de tecnologia.
