Raio X mostrou que ainda há poucos players no mercado de Salesforce no país. Foto: Pexels.

O ecossistema de empresas parceiras da Salesforce no Brasil ainda está muito concentrado na mão de grandes players internacionais, mas com um número importante de empresas brasileiras disputando o mercado.

É o cenário que aparece de um estudo sobre os parceiros no país da gigante americana de CRM feito pela multinacional de consultoria ISG e divulgado pela TGT Consult.

O levantamento tem um valor extra porque a Salesforce, no Brasil desde 2013, abre pouca ou nenhuma informação sobre sua política de canal ou a sua presença de vendas indiretas no país.

A análise da ISG funciona na moda do Quadrante Mágico do concorrente Gartner, apontando o posicionamento dos players em um mercado em quatro quadrantes diferentes, de acordo com um eixo que mede “atratividade do portfólio” e outro avalia “força como competidor”.

No caso desta pesquisa, a consultoria dividiu o mercado ainda em quatro grupos: Implementation & Integration Services; Implementation Services for Core Clouds; Implementation Services for Marketing Cloud e Managed Application Services Source.

Uma forma de ver os dados é que as empresas Accenture, Cognizant e Deloitte estão no topo do ranking, ocupando o posto de líderes nas quatro categorias, entre os 27 provedores listados.

Outras consultorias internacionais de grande porte como Infosys e PwC aparecem bem, apontadas como líderes em três dos quatro segmentos. A Appirio, uma empresa da Wipro e a Bluewolf, da IBM, também despontam bem, assim como a TCS.

Provedores como esses, no entanto, disputam a parte de cima da pirâmide, lutando por grandes clientes ou rollouts de multinacionais da companhia no país. Não são o tipo de empresas que vão levar o CRM da Salesforce para as massas, em um mercado que no Brasil ainda é bastante fragmentado.

“Apesar de o Salesforce ser um sistema bastante adotado por grandes empresas, ele passou a ganhar uma importante fatia do mercado intermediário, já que oferece soluções atraentes para pequenas e médias empresas pela facilidade da implementação”, afirma Maurício Ohtani,  autor da pesquisa e sócio da TGT Consult.

Quem deve levar o Salesforce para o meio da pirâmide, assim como já acontece com o ecossistema de outras gigantes de software como a SAP, são parceiros brasileiros de um porte menor, e não empresas como a Accenture.

É aí que o relatório ISG Provider Lens Salesforce Ecosystem Partners se torna interessante, ao apontar oito companhias com esse perfil.

Nesse grupo, quem se saiu melhor foi a mineira CBCloud, apontada como uma “market challenger” em três dos quatro levantamentos. A paulista Wings IT também se saiu bem, figurando em três levantamentos como “contender”.

Outras duas paulistas, a EveryMind e a Nescara, foram apontadas em dois rankings e Harpia Cloud, Kolekto e Werise em um cada uma.

A Salesforce parece estar num momento aquecido no Brasil. Apesar da multinacional não abrir informação nenhuma, é possível ver muita movimentação nos arredores da marca.

Em um levantamento recente do Linkedin sobre profissões em alta no país, uma das posições listadas foi a de desenvolvedores Salesforce, no décimo terceiro lugar.

O relatório foi feito com base em dados de usuários do LinkedIn com perfil público que tenham ocupado uma ou mais posições em tempo integral no Brasil nos últimos cinco anos. 

A partir de uma análise dessas informações, identifica-se o grupo de profissões que mais se movimentaram no período e aplica-se, a cada uma delas, uma fórmula que inclui o número de contratações e a taxa de crescimento anual entre 2015 e 2019 para mapear as que tiveram maior expansão.

A ISG diz que a Salesforce tem 70 parceiros no país, um aumento pequeno frente a 2015, quando o então vice-presidente da gigante americana de CRM para América Latina e Caribe, Maurício Prado, disse ao Baguete que o número era de 50.

Mas o cenário pode estar mudando rápido. Nos últimos tempos, uma série de companhias divulgaram movimentações nos últimos tempos para montar práticas de Salesforce. 

A consultoria alemã GFT anunciou em janeiro que contrataria 50 profissionais para uma nova divisão Salesforce, liderada por Marco Antônio Silva e Silva, ex-Plusoft.

A baiana Solutis contratou Ellen Cipulo, ex-gerente para a área de Salesforce da EY, para liderar a sua área de CRM, com a meta de formar um time de 25 pessoas.

Quem sabe o próximo levantamento da ISG sobre o tema não mostra um quadro muito diferente.