Daniel Scherer (Foto: Divulgação)
Já vi muitos talentos técnicos brilhantes ficarem estagnados simplesmente porque eram rápidos demais em apontar dedos e lentos demais em estender as mãos.
No ecossistema da tecnologia, onde as linguagens mudam a cada estação e as metodologias ágeis prometem milagres, é fácil se perder em métricas técnicas. No entanto, após anos transitando entre diferentes empresas e culturas, percebi que o que realmente separa os profissionais de alto impacto da média não é apenas o hard skill, mas o domínio de dois pilares: Comprometimento e Responsabilidade.
A Ética é o Norte, o Comprometimento é a Tração
Poderíamos falar de ética — e deveríamos — mas ela é uma fundação tão complexa que merece um debate à parte. O óbvio, às vezes, precisa de camadas de interpretação. Por isso, foquemos no que faz a engrenagem girar no dia a dia.
Estar comprometido não é apenas "cumprir o horário". É o que Patrick Lencioni descreve em Os 5 Desafios das Equipes como a clareza e a adesão às decisões. O profissional comprometido não espera a solução cair no colo; ele entende que o sucesso do projeto é, por extensão, o seu sucesso.
Responsabilidade: Somos Pagos para Resolver, Não para Apontar
Aqui reside o divisor de águas. No mundo corporativo, é tentador gastar energia procurando o culpado por um bug em produção ou um atraso na entrega. Mas, como bem pontua Jocko Willink em Responsabilidade Extrema, "não existem equipes ruins, apenas líderes ruins" — e isso se aplica ao líder de si mesmo. (Se você entendeu que a culpa então é do seu chefe, você não entendeu o parágrafo, peço que lei atentamente novamente).
Ser um profissional de valor é assumir a responsabilidade pela solução, independentemente de onde surgiu o erro. Quando você assume a bronca, o famoso "espírito de dono" deixa de ser um clichê e se torna uma vantagem competitiva.
O foco no culpado paralisa.
O foco na solução resolve.
Assumir um problema que "não é seu" não é sobrecarregar-se injustamente, mas entender o bem comum. Se o barco afunda, não importa de quem era o turno na vigilância; todos terminam molhados.
Uma Filosofia de Vida, Não Apenas de Crachá
Stephen Covey, em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, reforça que a responsabilidade (do inglês response-ability) é a nossa capacidade de escolher nossa resposta aos estímulos. Levar essa postura para a vida pessoal transforma a forma como encaramos desafios familiares e sociais.
Ao trazermos essa constante para o trabalho, paramos de ser reféns das circunstâncias. Deixamos de dizer "isso não é minha função" para dizer "eu cuido disso". E, no final do dia, é exatamente por essa segurança que as empresas buscam e valorizam os grandes talentos.
Para refletir: Na última semana, você gastou mais tempo explicando por que algo deu errado ou garantindo que o problema fosse sanado?
*Por Daniel Scherer, pós-graduado em Engenharia de Software e Gestão Estratégica de Pessoas, bacharel em análise de sistemas e executivo da área de tecnologia.