FIM

Razor fecha as portas

Fabricante de PCs de Passo Fundo foi um case de sucesso nacional.

23 de janeiro de 2026 - 12:47
Hora de apagar as luzes na Razor.

Hora de apagar as luzes na Razor.

A Razor, fabricante de computadores de alta performance sediada em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, fechou as portas no dia 12 de janeiro. 

O jornal gaúcho Zero Hora teve acesso a um comunicado da empresa para investidores, apontando como fatores que levaram ao fechamento   o acúmulo de passivos e execuções judiciais, constantes ameaças de suspensão de serviços por credores operacionais e incapacidade de obtenção de capital externo.

"Lamentavelmente, cenários alternativos que buscamos, como buyout ou recuperação judicial, mostraram-se inviáveis. Lamentamos profundamente que uma empresa com 12 anos de trajetória, produto validado, demanda reprimida, operações, estrutura e equipe prontas para escalar tenha que encerrar suas atividades dessa forma, por falta de oxigênio financeiro", afirma o texto.  

Ainda segundo o comunicado, a decisão de fechar também é motivada por “priorizar o pagamento de funcionários enquanto era possível”. Segundo a ZH, a Razor tinha 30 funcionários. 

Em entrevista para a RBS TV, os irmãos André e Grégory Parisotto Reichert, fundadores da empresa, contaram que os problemas da Razor começaram na pandemia, com os problemas no fornecimento de chips e foram agravados nos últimos tempos com pelo aumento do preço da memória RAM e placas de vídeo.

Uma reportagem de GZH de setembro de 2025 expôs que o Ministério Público do Rio Grande do Sul havia aberto uma ação contra a empresa pela não entrega de máquinas e, concomitantemente, a não devolução dos valores dos pedidos.

Em uma audiência realizada em março daquele ano, a Razor informou ter 330 pedidos para serem entregues, cada um com valor médio de R$ 20 mil. Ou seja, mais de R$ 6 milhões em passivos. De junho de 2024 a janeiro de 2025, foram 88 novos processos abertos na Justiça. 

Com o fechamento, acabou a trajetória de empreendedorismo com alguns traços clássicos do setor de tecnologia, que chamou atenção nacionalmente. 

A Razor começou como uma assistência técnica quando um dos fundadores, Grégory, tinha acabado de completar 18 anos. Um irmão mais velho, André Luiz, fez o primeiro aporte, de apenas R$ 5 mil, no ano seguinte, em 2015. 

Em 2019, a Razor foi acelerada pela Endeavor Scale-up, onde teve mentorias com fundadores de companhias como 99, Terra, GetNet e Rocket Chat.

No final de 2020, a empresa levantou R$ 1,8 milhão em três dias na plataforma de crowdfunding Kria, em uma captação com 150 pessoas. No ano seguinte, vieram mais R$ 4,4 milhões com 480 investidores. 

Ainda em 2023, um dos seus fundadores integrou a lista da Forbes dos principais nomes do país com menos de 30 anos, um tipo de destaque muito almejado entre jovens empreendedores.